Nas ruas onde a luz se recusa a deitar,
o asfalto é o leito de quem parou de sonhar.
Entre dreads desbotados e o frio que consome,
o silêncio é o único que sabe o seu nome.
Poetas malditos, sem voz e sem chão,
escrevem a angústia na palma da mão.
Nos bares vazios, o copo é o espelho
de um mundo que morre num brilho vermelho.
As drogas são o ópio de quem já partiu,
um vácuo profundo que o peito sentiu.
Vidas malfadadas, espectros da dor,
sob o peso de um tempo que perdeu o valor.
Sentimentos perdidos, cinzas no ar,
nada resta além do cansaço de estar.
A cidade é um túmulo de concreto e metal,
onde o fim é a única saída real.


