domingo, 22 de fevereiro de 2026

 

Nas ruas onde a luz se recusa a deitar,

o asfalto é o leito de quem parou de sonhar.

Entre dreads desbotados e o frio que consome,

o silêncio é o único que sabe o seu nome.

Poetas malditos, sem voz e sem chão,

escrevem a angústia na palma da mão.

Nos bares vazios, o copo é o espelho

de um mundo que morre num brilho vermelho.

​As drogas são o ópio de quem já partiu,

um vácuo profundo que o peito sentiu.

Vidas malfadadas, espectros da dor,

sob o peso de um tempo que perdeu o valor.

Sentimentos perdidos, cinzas no ar,

nada resta além do cansaço de estar.

A cidade é um túmulo de concreto e metal,

onde o fim é a única saída real.

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