O Alforge do Tempo
Nas dobras do tempo, guardamos o que foi,
Momentos que o vento não leva daqui,
A infância descalça, o sonho que flui,
A paz de ser livre, o que eu já vivi.
Lembro da pressa de querer crescer,
Sem responsabilidades, o mundo era o quintal,
Amizades eternas, juras de nunca esquecer,
Riso de criança, puro e vital.
A adolescência chegou como um vendaval,
Descobertas intensas, o peito a arder,
Onde o abraço era o bem principal,
E o tempo era algo que se podia perder.
Hoje, no corpo de adulto, a rotina consome,
Mas a memória é o porto onde o coração mora,
O sentimento de saudade aperta, mas não nos some,
Trazendo o perfume de uma antiga aurora.
Pois ser para sempre jovem não é questão de idade,
É manter o brilho e a leveza no olhar,
É levar no peito essa doce verdade,
E nunca deixar a criança parar de sonhar.
