Putas, vinho e rock and roll
Na berma da estrada onde a noite não dorme,
Grita um amplificador, gigante, disforme.
O fumo condensa, o asfalto já ferve,
E a alma entrega-se a quem a conserve.
Copos transbordam de um tinto pesado,
Que limpa a garganta e absolve o pecado.
O riso é vadio, a pele é calor,
Não há cá promessas, nem juras de amor.
Mulheres da noite, de saltos e brilho,
Que tiram o comboio do brio e do trilho,
Rainhas da berma, poetas do asfalto,
Que dançam com a vida a um ritmo mais alto.
A guitarra ruge, rasgando o silêncio,
Num transe divino que eu cá não distingo:
Se é bênção divina ou fogo do inferno,
Nesta barafunda de um brinde eterno.
Garrafas partidas, batom no colarinho,
A vida escorrega por este caminho.
Sem regras, sem freios, a fundo no gás,
Deixando a rotina e o juízo para trás.
Que o mundo se afogue no seu próprio controlo,
Nós cá celebramos com o peito ao colo:
Na mesa da vida, sem regra ou controlo,
Sagramos a noite com vinho e rock and roll!
