quinta-feira, 16 de julho de 2026


 

Putas, vinho e rock and roll

​Na berma da estrada onde a noite não dorme,

Grita um amplificador, gigante, disforme.

O fumo condensa, o asfalto já ferve,

E a alma entrega-se a quem a conserve.

​Copos transbordam de um tinto pesado,

Que limpa a garganta e absolve o pecado.

O riso é vadio, a pele é calor,

Não há cá promessas, nem juras de amor.

​Mulheres da noite, de saltos e brilho,

Que tiram o comboio do brio e do trilho,

Rainhas da berma, poetas do asfalto,

Que dançam com a vida a um ritmo mais alto.

​A guitarra ruge, rasgando o silêncio,

Num transe divino que eu cá não distingo:

Se é bênção divina ou fogo do inferno,

Nesta barafunda de um brinde eterno.

​Garrafas partidas, batom no colarinho,

A vida escorrega por este caminho.

Sem regras, sem freios, a fundo no gás,

Deixando a rotina e o juízo para trás.

​Que o mundo se afogue no seu próprio controlo,

Nós cá celebramos com o peito ao colo:

Na mesa da vida, sem regra ou controlo,

Sagramos a noite com vinho e rock and roll!

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